Em fevereiro de 1972 o Pastor Claudemar chega em Cachoeirinha para pastorear a comunidade da IELB (igreja histórica e tradicional). Recém formado em teologia e recém casado, trazia na bagagem muita vontade de servir a Deus. Passados alguns meses começou a perceber a distância que havia entre a teologia e a realidade prática encontrada. Isto começou a gerar um anseio por alguma coisa mais profunda, que era a unção do Espírito Santo.

No ano 1973 um colega, Pastor Aloísio, o convidou para uma “reunião de oração” em sua casa. Foi ali que, pela primeira vez, ouviu falar em línguas estranhas dadas pelo Espírito Santo e profetizar. Acostumado a orações redigidas de uma liturgia fixa, ouvir pessoas falando com Deus de forma livre e espontânea foi algo maravilhoso. A partir dali passou a buscar estas bênçãos para sua vida. Naqueles dias, em Porto Alegre, estava acontecendo um avivamento, com a participação de pessoas das mais diferentes denominações. Foi numa reunião dessas que o Pastor Claudemar e a sua esposa Vera foram batizados com o Espírito Santo. Foi também neste tempo que receberam um milagre maravilhoso. O médico havia concluído que não poderiam ter filhos, mas o Senhor lhes deu a Tatiana.

Iniciaram, então, reuniões de oração na comunidade da IELB que pastoreavam. Foi um tempo tremendo, pois aquela capela de madeira passou a se encher da presença e da unção do Espírito. Muitas vezes, após as reuniões, se podia ver o assoalho marcado com as lágrimas das pessoas que estavam se consagrando a Deus. Foi um tempo de milagres, curas, libertações e de muita alegria. Mas como A IELB era uma igreja tradicional, tudo aquilo começou a gerar curiosidade o oposições. Assim, o Pastor Claudemar e o Pastor Aloísio foram chamados perante a Comissão de Teologia para que tudo aquilo fosse explicado. A Comissão dizia: “É bíblico, mas não é para os nossos dias, foi só para o tempo dos apóstolos”. Mas o fato era que a bênção estava vindo sobre aqueles que buscavam.

Finalmente, no final do ano de 1979 o presidente da referida instituição emitiu um decreto: “ – Ou vocês param com isso, ou vocês saem da igreja”. Após um tempo de oração e consulta ao Senhor, o pastor decidiu desligar-se da IELB juntamente com sua esposa e sua filha de três anos, na ocasião. Não foi uma decisão fácil, porque o sustento vinha daquela instituição, a casa onde moravam era da instituição. Foi um passo de fé e de dependência de Deus. Isto foi em janeiro de 1980. Com o auxílio de algumas pessoas que emprestaram o valor da entrada, o Pastor Claudemar adquiriu uma casa de madeira, no local onde reside até hoje, e foi ali que nasceu a Igreja Luterana da Renovação de Cachoeirinha, pois após a decisão do Pastor Claudemar e sua família, mais 41 pessoas se desligaram também e começaram a se reunir na casa de madeira, sem paredes por causa da reforma, que se tornou o primeiro espaço usado para este novo grupo cultuar e adorar a Deus.

Foi um começo marcado por muita oração, obediência a Deus e renúncia. Que o Senhor nos guarde para não abandonarmos o primeiro amor!

Depois dos primeiros dias de renovação, chegou o tempo de estruturar a igreja que estava surgindo, elaborando os documentos, para que fosse registrada e legalizada perante as autoridades. Mas havia mais um problema: onde reunir as pessoas que estavam chegando?

Um dia um irmão chegou compartilhando um sonho, em que via o Pastor Claudemar pregando e todo o grupo sentado nos bancos do templo da Igreja “Brasil para Cristo” que ficava na rua Lídio Batista, na parada 52, da cidade de Cachoeirinha. Entendendo que era uma direção do Senhor, a liderança foi falar com o Pastor Presidente da referida denominação, que, ao perceber que ao dias de reuniões eram diferentes daqueles usados pelo seu povo, prontamente cedeu o espaço para duas reuniões semanais em troca do pagamento das taxas de água e luz do prédio.

O trabalho se intensificava e para melhor atender as pessoas que estavam se convertendo, começaram com “Grupos Caseiros”, isto é, reuniões nas casas de diversos irmãos, como da irmã Sueli, mãe do Gilmar, do irmão Olavo, do Círio, na parada 59, e outros mais. Além disso começamos um trabalho intenso com as crianças em diferentes bairros da cidade, o que deu origem a mais grupos caseiros.

Vendo o crescimento, foi lançado o desafio da compra de um terreno para a construção de um prédio próprio. Para isso era preciso de um valor de entrada. E milagres financeiros começaram a acontecer. Uma família vendeu um terreno o doou todo o montante para o projeto, outros também venderam terrenos e doaram uma parte desse valor, outros ofertaram sacrificialmente, e logo foi possível comprar o  terreno da Rua Arnaldo Schuller, 129, também em Cachoeirinha. Após a compra do lugar, soubesse através de vizinhos, que a proprietária, já falecida quando a compra ocorreu, manifestara o desejo de que ali se estabelecesse uma Igreja Luterana. Foi o que aconteceu! No terreno havia uma casinha velha, com muito cupim. Ajeitou-se rapidamente o que foi possível e passaram a reunir-se ali os jovens e as mulheres.

Em oração Deus deu a direção de começar a construção. Só que não havia reservas no caixa da Igreja. Então decidiu-se começar a construção “pela fé”. Tudo foi comprado à vista. Quando os fundamentos estavam lançados, fez-se um culto no local e o Senhor deu uma visão espiritual a duas pessoas diferentes de que Ele estava provendo também o terreno ao lado. Naquele momento aquilo foi  quase que inimaginável “naquelas alturas do campeonato”, diante do que se tinha alcançado até ali, e diante dos desafios que se enfrentara para erguer o prédio que estava apenas nos fundamentos. O primeiro templo constituía-se do espaço que hoje é chamado de “capelinha”, mais o escritório pastoral.

O tempo passou e comprou-se o segundo terreno, vindo então a segunda construção. Muito esforço ainda se fazia para erguer o segundo templo, enquanto vários profetas entregavam novas palavras: “ – Alarga o espaço da tua tenda”, era uma delas. Comprou-se o terceiro terreno. A terceira construção se tornou um desafio gigantesco. As medidas eram grandes e o custo extremamente alto. A empresa contratada para erguer os pré-moldados faliu após assinado o contrato e não entregava as peças. Certo dia, no grupo de oração das mulheres, decidiu-se organizar um jejum pela construção. Uma visitante que estava na reunião fez o comentário: “- Em todos os lugares eu vejo as igrejas fazerem almoços para construir, é a primeira vez que vejo uma igreja fazer jejum”. E o Senhor ouviu a oração e pelo trabalho habilidoso de irmãos que estavam na frente da obra, as peças começaram a chegar e aqueles caminhões guindastes enormes começaram a erguer a estrutura. Depois de dois anos em um prédio alugado na Rua Dona Cecília, no antigo Correio de Cachoeirinha, mudou-se para a terceira construção, que é o templo atual.

Agora é tempo de prosseguir na conquista e edificação das vidas. Gratos ao Senhor por cada irmão que participou desta história, independente da data que chegou. Gratos ao Senhor por cada vida que ele acrescentou ao rebanho. Você faz parte desta história!